O seguinte texto teve trechos retirados do site Amazonarium e a íntegra está em:
http://www.amazonarium.com.br/blog/?p=68
(Por Silvio Marchini)
A floresta amazônica está cercada de estórias e mitos no que se
refere aos seus perigos. São cobras gigantescas, onças ferozes, índios
cruéis e doenças arrepiantes. Tudo isso dá um tom de aventura à sua
viagem, mas tem bem pouco a ver com a realidade.
Certamente existem perigos. Afinal, onde é que eles não existem? Mas
para evitá-los, basta usar o bom senso. Siga sempre as recomendações de
seu guia, nunca saia sozinho para caminhadas, não se aproxime de animais
que você não conhece, e acima de tudo, informe-se. Tente aprender sobre
os ambientes que você irá visitar. Leia. Faça perguntas. A informação
lhe ajuda a evitar os perigos, assim como a desfrutar mais das belezas
da floresta.
Segue uma breve descrição dos principais riscos envolvidos em sua
viagem à Amazônia. Essa lista não foi feita para assustar, mas para
informar. Estamos seguros de que após sua visita à Amazônia, as cobras
gigantescas, as onças ferozes, os índios cruéis e as doenças arrepiantes
vão definitivamente pertencer apenas ao reino dos mitos.
Malária. A malária estava associada ao garimpo nos anos 70 e
80. Hoje os maiores focos de dispersão da doença são os assentamentos do
INCRA. A malária está associada à pobreza, à falta de saneamento e à
degradação ambiental. É muito rara nos centros urbanos. É causada pelo
protozoário Plasmodium e transmitida pelo mosquito Anopheles. Causa
febre alta, calafrios e dores no corpo. Não existe vacina contra a
Malária. A prevenção é feita evitando-se o ataque do mosquito através do
uso de repelentes, calças compridas e mangas compridas, especialmente
nas horas em que o mosquito é mais ativo (ao amanhecer e ao anoitecer). A
profilaxia também pode ser feita com Larium (Mefloquina). A efetividade
de Larium, assim como os efeitos colaterais por ele causado (ansiedade,
insônia, pesadelos), são alvo de controvérsia entre autoridades de
saúde. Para maiores informações sobre Larium consulte seu médico. Para
maiores informações sobre malária, visite o site da ANVISA (www.anvisa.gov.br/paf/viajantes/malaria.htm)
Febre amarela. Doença rara transmitida por mosquito. Foram
registrados 17 casos nas regiões norte e centro-oeste em 2000. Porém é
obrigatório tomar vacina até 10 dias antes do embarque. A vacina tem
validade de 10 anos. Vacine-se!
Leishmaniose. Transmitida pelo mosquito flebótomo. Causa
feridas na pele. Têm cura, mas o melhor é evitá-la através da proteção
contra a picada do mosquito.
Hepatite A. É contraída através da ingestão de água
contaminada. Evite nadar em áreas urbanas e nunca beba água sem antes
ter certeza de que é potável. Mas a melhor prevenção é mesmo a vacina.
Vacine-se!
Diarréia. Tem causas variadas. A simples mudança de dieta
pode causar diarréia (”diarréia dos viajantes”). Evite alimentos
condimentados e oleosos. Açaí e outros frutos de palmeira são oleosos e
podem causar diarréia quando ingeridos em excesso. Nunca beba água da
torneira, desconfie de frutas e sucos vendidos nas ruas. Em caminhadas e
acampamentos, ferva a água a ser consumida por pelo menos 10 minutos ou
use cloro ou iodo como esterilizantes. Use o bom senso.
Cobras. A Amazônia tem cobras venenosas como a surucucu e a
jararaca. Elas têm hábitos noturnos e raramente são vistas durante o
dia. Jibóias e sucuris (anacondas) são grandes, mas não-venenosas. Você
muito dificilmente vai ver qualquer uma delas cruzando seu caminho. Como
cuidado nunca é demais, preste atenção quando saltar sobre troncos
caídos: cobras costumam se enrolar por ali. No caso (muito improvável)
de picada, fique calmo (é difícil, mas tente). Não faça cortes ou
perfurações sobre a área afetada. Não chupe a ferida com a boca. Procure
um médico.
Aranhas, escorpiões e lacraias. A Amazônia tem as maiores
aranhas do mundo: as caranguejeiras. Peludas e assustadoras, as
caranguejeiras são no entanto inofensivas. Porém, não as toque pois seus
pêlos podem causar irritações na pele. As demais espécies de aranhas da
Amazônia tampouco oferecem risco. Escorpiões e lacraias são perigosos.
Para evitar acidentes com escorpiões e lacraias, evite levantar troncos
ou pedaços de madeira caídos. Picadas de escorpião e lacraias causam
dor, mas não são fatais.
Formigas. Estão por toda parte. É o animal mais comum da
Amazônia. São centenas de espécies, mas bem poucas podem lhe fazer mal.
Fique longe das tucandeiras: formigas negras e brilhantes, grandes e
geralmente solitárias. Elas ferroam (assim como vespas) e a ferroada
pode ser extremamente dolorida.
Vespas. São comuns e inconvenientes. Algumas fazem ninhos
na parte de baixo de folhas ao longo das trilhas. Você vai saber disso
quando esbarrar desprevenidamente em uma dessas folhas. As picadas são
doloridas, mas as colônias são geralmente pequenas e portanto o número
de picadas que você pode levar não porão em risco sua vida. ATENÇÃO: se
você é alérgico à picadas de vespas e abelhas, comunique isso ao seu
guia e tome cuidado redobrado. Tenha sempre pomadas (ex. Cremefenergan) e
comprimidos antihistamínicos para o caso de reações alérgicas.
Arraias. Agora começamos a falar de animais realmente
perigosos. Acidentes com arraias são mais comuns do que muita gente
imagina. E a dor da ferroada é muito pior do que qualquer pessoa possa
imaginar. Arraias são peixes achatados que vivem junto ao piso dos rios e
lagos da Amazônia. Preferem fundos de lama e águas rasas. São
muitíssimo comuns nas praias da Ilha de Marajó, onde se concentram nas
águas rasas durante a maré baixa. Possuem sobre a cauda ferrões que
injetam veneno em quem quer pise ou chegue perto de pisar sobre elas. O
veneno causa dor lancinante e duradoura. Além disso, o veneno é
proteolítico, ou seja, destrói proteínas. Isso faz com que a ferida leve
muito tempo para cicatrizar. Feridas causadas por acidentes com arraia
podem levar mais de 6 meses para cicatrizar. Não existe soro contra o
veneno. A boa notícia é que é fácil evitá-las, basta permanecer fora
d’água. Caso prefira entrar na água, caminhe sempre arrastando os pés
para afugentá-las ao invés de pisar sobre elas. Evite fundos de lama e
tome cuidado redobrado durante a maré baixa.
Carrapatos e micuins. Estes sim são mais prováveis de lhe
perturbar. Causam coceiras e irritação na pele, especialmente em pessoas
alérgicas. Para evitá-los recomenda-se o uso de calças compridas por
dentro das meias e camisa por dentro das calças nas caminhadas. Alguns
acreditam que talcos contendo enxofre (ex. Polvilho Antisséptico
Granado) podem ajudar a prevenir o ataque de micuins. Para aliviar a
coceira, use pomadas antihistamínicas (ex. Cremefenergan).
Mosquitos e piuns. Estes deveriam ser a sua maior
preocupação (por mais irônico que isso possa parecer). Você VAI ser
picado por mosquitos em algum ponto da sua viagem. Em algumas partes da
Amazônia eles são chamados de “carapanã”. Carapanãs podem causar
malária, leishmaniose, dengue e febre amarela. Evite-os usando mangas e
calças compridas e repelente e permanecendo abrigado nas horas em que
eles são mais ativos (i.e. amanhecer e anoitecer). Piuns e meruins são
nomes regionais para pequenas moscas parentes dos borrachudos do litoral
paulista. Mordem para se alimentar de sangue, deixando uma pequena e
dolorida ferida. Piuns e meruins não transmitem doença, mas podem ser
extremamente inconvenientes em certas partes da Amazônia (ex. Acre e
manguezais da costa paraense). Carapanãs, piuns e meruins são atraídos
pelo calor e pelos odores da pele. Porisso atacam com menor verocidade
após o banho. Tome muito banho e tenha repelentes sempre à mão.
E o mais importante: HIDRATE-SE MUITO BEM!!BEBA BASTANTE ÁGUA!
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